quarta-feira, 17 de julho de 2013

Relação que deu certo

Para comemorar esta relação tão íntima entre sapatos, cinema e literatura, o Museu Salvatore Ferragamo, em Florença, acaba de inaugurar a exposição “The Amazing Shoemaker Fairy Tales and Legends about Shoes and Shoemakers, que ficará em cartaz até maio de 2014. Além de reunir peças históricas, garimpadas em diversos acervos do mundo, a mostra apresenta obras inéditas encomendadas a 29 artistas, inspiradas no legado de Ferragamo. A exposição traz inúmeras curiosidades do seu processo criativo e sua obsessão pelo corpo humano.



Em 26 telas, Frank Espinosa levou a vida do sapateiro para os quadrinhos. Conhecido por ter redesenhado os personagens de animação Looney Tunes em 1992, o cartunista resgata passagens da trajetória do italiano, como sua temporada na Universidade da Califórnia, nos anos 20, só para estudar anatomia. Lá, Salvatore aprendeu como funciona a dinâmica de equilíbrio do corpo e, a partir dali, desenvolveu técnicas para projetar sapatos com saltos vertiginosos, mas que garantiam estabilidade. A graphic novel se chama Salvatore Ferragamo: Making of a Dream e conta a história da paixão do designer por sapatos, desde sua infância pobre na Itália.






Entre outras inovações, Ferragamo patenteou uma lâmina de metal que é incorporada à sola de couro e ajuda a dar sustentação aos pés. É por causa dele que várias vezes seu sapato apita no detector de metais, mesmo que pareça ser apenas couro.

Outro fato curioso é sua ligação com a mitologia greco-romana. No início dos anos 50, o sapateiro se apoderou do tema para criar modelos como a sandália Flash, adornada com asas, uma referência ao deus Mercúrio.




No filme White Shoe, dirigido pelo americano Rick Heinrichs, Salvatore, aos 9 anos, nascido num vilarejo próximo à Nápoles, se aventurou em criar um sapato branco para a primeira comunhão da irmã e imediatamente se encantou com o ofício. Na época, este trabalho não tinha prestígio, mas a vocação de Ferragamo falou mais alto e aos 16 anos, ele já vivia na Califórnia, confeccionando peças para os grandes estúdios de cinema.



Depois da infância dura, Ferragamo foi duas vezes à falência, conseguiu se reerguer em ambas, contornou a escassez da Segunda Guerra, trocando o salto de madeira pelo de cortiça e conquistou uma legião eclética de fãs para sua grife, da nobreza a Hollywood.

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