Para comemorar esta relação tão
íntima entre sapatos, cinema e literatura, o Museu Salvatore Ferragamo, em
Florença, acaba de inaugurar a exposição “The
Amazing Shoemaker - Fairy Tales and Legends about Shoes
and Shoemakers, que ficará em cartaz até maio de 2014. Além de reunir peças
históricas, garimpadas em diversos acervos do mundo, a mostra apresenta obras
inéditas encomendadas a 29 artistas, inspiradas no legado de Ferragamo. A
exposição traz inúmeras curiosidades do seu processo criativo e sua obsessão pelo corpo humano.
Em 26 telas, Frank
Espinosa levou a vida do sapateiro para os quadrinhos. Conhecido por ter redesenhado os personagens de animação Looney Tunes
em 1992, o cartunista resgata passagens da trajetória do italiano, como sua temporada na
Universidade da Califórnia, nos anos 20, só para estudar anatomia. Lá,
Salvatore aprendeu como funciona a dinâmica de equilíbrio do corpo e, a partir
dali, desenvolveu técnicas para projetar sapatos com saltos vertiginosos, mas
que garantiam estabilidade. A graphic novel se chama
Salvatore Ferragamo: Making of a Dream e conta a história da paixão do designer
por sapatos, desde sua infância pobre na Itália.
Entre outras inovações, Ferragamo patenteou uma lâmina de metal que é incorporada à sola de couro e ajuda a dar sustentação aos pés. É por causa dele que várias vezes seu sapato apita no detector de metais, mesmo que pareça ser apenas couro.
Entre outras inovações, Ferragamo patenteou uma lâmina de metal que é incorporada à sola de couro e ajuda a dar sustentação aos pés. É por causa dele que várias vezes seu sapato apita no detector de metais, mesmo que pareça ser apenas couro.
Outro fato curioso é sua ligação
com a mitologia greco-romana. No início dos anos 50, o sapateiro se apoderou do
tema para criar modelos como a sandália Flash, adornada com asas, uma
referência ao deus Mercúrio.
No filme White Shoe, dirigido
pelo americano Rick Heinrichs, Salvatore, aos 9 anos, nascido num vilarejo
próximo à Nápoles, se aventurou em criar um sapato branco para a primeira
comunhão da irmã e imediatamente se encantou com o ofício. Na época, este
trabalho não tinha prestígio, mas a vocação de Ferragamo falou mais alto e aos
16 anos, ele já vivia na Califórnia, confeccionando peças para os grandes
estúdios de cinema.
Depois da infância dura, Ferragamo
foi duas vezes à falência, conseguiu se reerguer em ambas, contornou a escassez
da Segunda Guerra, trocando o salto de madeira pelo de cortiça e conquistou uma
legião eclética de fãs para sua grife, da nobreza a Hollywood.





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